Sunday, September 28, 2014

A última carta**

Oi queridão, é a florzinha!
Adivinha, já é primavera. Mas, olha que legal os ipês floriram ainda no inverno.
E foi a florada mais linda de todos os anos. No meio das avenidas, entre o vai e vem dos carros, ônibus e pessoas as flores colorindo o chão de branco, rosa e amarelo. 
O céu  também está ficando cada vez mais azul.
O sol brilhando, cada vez mais. Enfim, mais um ciclo renovado.
Você adoraria ver.
Enquanto isso, as pessoas estão cada vez mais frenéticas, o ritmo acelerado, todo mundo andando para onde eu não sei ao certo. Você sabe, eu sou deslocada.
Continuo observando tudo passar. Ainda sem entender os porquês de muita coisa.
A diferença é que desta vez, estou sozinha em minhas reflexões.


Continuo lendo.
O meu último livro foi “Cartas para Julieta”.
Eu disse que encontraria e leria. E é bem bacana, um apanhado histórico das cartas e bilhetes que são deixados para Julieta em Verona.
E, Verona entrou no topo da lista dos lugares que eu disse que quero visitar.
Ao que tudo indica, essa minha viagem vai ficando para mais tarde. Mas não é missão impossível. Até porque, aprendi contigo que impossível é algo sem sentido.
Tudo é uma questão de foco, disciplina, tempo, persistência e paciência.


Peço a Deus que você esteja certo.
É que já faz um tempo que não vejo o azul dos seus olhos.
Então, obviamente ando meio descrente em tudo o que você me disse.


Ainda mais, quando eu te teria sempre por perto.
Hoje eu sei que para sempre não se aplicaria a gente, certo?
Se bem que é uma questão bem complexa.


Eu era a ação e você a reação.
Agora, é o contrário. Eu acho.


Na verdade, hoje eu sou um pouco do que você me ensinou e você é o que habita em minhas memórias. E eu sinto sua falta. Uma saudade enorme do tamanho do infinito.
[Mesmo sem saber o real tamanho do infinito].

**O destinatário está indisponível para receber esta carta. Por este motivo, compartilho aqui. Ele não se importaria.

Sunday, January 12, 2014

Enfim, manequim 38-40!


Hoje o post é bem assunto de menina. É que preciso comentar sobre isso...

Vejo por ai dietas para emagrecer, afinar cintura e blá blá blá...
Minhas amigas sempre brigando com a balança e eu nunca podendo dizer nada, que sempre vinha um "chata" quando eu desabafava meu dilema.
É que até mês passado, meu manequim era 36 (roupas sociais) e 38 (jeans).
Enquanto minhas amigas praguejavam a barriguinha ou excesso de busto, eu sentia vontade de vestir uma roupa que me desse ar de "mulherão". Nas lojas, sempre sofria porque a blusa ou saia que eu adorava tinha do M para cima, o que acontecia com o P?
Isso quando eu tinha a sorte de ser P, às vezes era PP. Uma colega disse uma vez quando me viu na rua: sempre magrelinha! E a coisa piorou quando uma tia comentou que eu continuava com o corpo de menininha. Foi horrível, tanto quanto os magrelas que ouvi na escola.
Minha alimentação é toda errada, como frituras, doces e tudo o que a reeducação alimentar proíbe (sempre fui assim) e nunca engordei...
A culpada de tudo era minha tireoide, que produzia hormônios demais, meu metabolismo acelerado e o excesso de atividade (nada de acadêmias) sou adepta dos exercícios ao ar livre (não dispenso uma boa caminhada).
Para resolver meu problema, check-up no organismo (todas as taxas normais menos a produção de TSH e T4 livre) e diagnosticada, fui cuidar da minha saúde. Foram 5 anos de tratamento, até normalizar minha produção hormonal (ok, tem uma taxa que ainda não baixou) e continuo com minha dieta incorreta
(porque o metabolismo ainda me favorece).

Além de mim, encontrei mais duas pessoas que tem o mesmo problema. Adeptas da seção infanto-juvenil (sério conheço sim). E elas se sentem péssimas. Conheci pessoas que brigam, do contrário, com a balança e que levam tudo na esportiva...
O meu conselho:
Contei isso aqui porque, não existe dieta milagrosa (até para engordar, fui adepta dos lanches diários com refrigerante mas conseguia ficar inchada e só).
É preciso verificar o que está errado no organismo. Se nada for constatado, ai cabe uma reeducação alimentar e exercícios físicos (com orientação) até para descobrir qual a melhor prática esportiva para o que você deseja.
E se você conhece alguém que briga com a balança - do contrário, não a levem mal.
É chato não conseguir comprar aquela roupa.

Eu avisei que o post ia ser assunto de menina...

Monday, September 9, 2013

Gentileza justifica meu atraso


“Todo dia o sol da manhã, vem e me desafia”...

Peço licença aos Paralamas, para descrever um pouco do que vejo todas as manhãs. Acordo cedo e me preparo para enfrentar minha rotina. Começo meu trajeto pensando no que vou encontrar no transporte coletivo, duas coisas são certas: a primeira, eu vou chegar atrasada e a segunda, a culpa é de Gentileza.

Já no ponto enquanto espero o ônibus que me levará ao terminal conto o tempo que vou levar até completar meu percurso. Enquanto isso, reparo nas cenas ao meu redor. Na moça que está atrasada e lá está ele, pacientemente fazendo o contorno e demorando tempo suficiente para que ela não precise correr até chegar no ponto, ou o mais próximo possível.

Ela chega, ele ainda espera pacientemente, ela sobe, nós saímos. Começa meu trajeto. No próximo ponto, mais alguns minutos desperdiçados, é que tem alunos da escola municipal, crianças de no máximo oito anos, que descem ali e já estou a um passo do atraso. Todos descem. E ele vai saindo devagar.

Um ponto mais a frente e ele para, mas não de qualquer jeito. Vai um pouco além do ponto, para que a mãe com o filho cadeirante não precisem fazer força para subir. E ele desce, vai até a porta com elevador e coloca os usuários no ônibus. Tudo com calma e o elevador que com outros é teimoso, o obedece sem pestanejar.

Passamos por mais alguns pontos, e devagar é claro, mais crianças descem, alguns idosos sobem e gente e mais gente. Alguns sérios, algumas comadres se cumprimentam alegremente. Todos brincam, um dia a gente chega.

E mais uma vez, olho no relógio, “atrasada de novo” . Mas, antes de ficar irritada, ele para, desce de novo, e acompanha um cego a atravessar a rua. E eu, bom, ah, o que são mais alguns minutos.

Gentileza não é o nome do motorista que todos os dias me leva até o terminal. Na verdade, nem sei o nome dele. Só sei que todos os dias, quando subo no ônibus pergunto: e ai tudo bem? Ele sorri e diz que sim e gentilmente, espera que eu e todos que estão no ponto tenham subido e estejam seguros o suficiente para ele seguir caminho.

Todos os dias ele faz a mesma coisa. E eu, aprendo com ele a ser gentil, ainda que as coisas não estejam muito a meu favor – pensa que é fácil ser gentil mesmo quando as pessoas estão irritadas por você estar sendo gentil e as atrasando? Ele faz parecer que sim. E assim, vou em frente.